ENSAIO SOBRE O FIM DO AMOR
Abril
2009
Para Vânia Lá eu Num brêu Chinês Acorrentado Das brechas da arapuca Eu não vejo o sol Não vejo nenhum um brilho além E eu preso Nas trevas que não criei Branca, eu sou a flor sensível Que chamam de amor Branca, eu sou a relva da nascença Sou a cura das doenças Eu sou uma alma vestida de paz... Tinha uma armadilha no caminho Um inimigo fez isso Lançou semente errante Crucificou-me Branca, eu morri embalado de tristeza Branca, sepultaram-me no jazigo da incerteza Branca, nem morto eu descanso... O amor deu as costas Deu três passos a frente Olhou pra trás E numa mira certeira Cravou-me um punhal no peito

Do Melhor
Linkk
del.icio.us
By Radyr Gonçalves
Eu contei conchas do mar
Enquanto a maré acordava
Eu contei meus planos as caladas pedras
Eu falei de flores com o céu
Mas esqueci de dizer
Que queria me alargar num abraço teu
E morrer de fartura no teu seio amado
Esqueci de cantar peixinhos
De beijar-te de mansinho
Da tardinha ao arrebol
Eu contei cismas
Uma por uma
Contei brigas
Arquivei verbos envenenados
Eu criei causo com a praia deserta
Eu deixei a porta aberta
E você se foi
Eu contei pérolas
Eu guardei riquezas
Mas esqueci de falar-te
Dos meus desejos açucarados
Esqueci de plantar violetas
De tecer nossas luas
Esqueci de expressar
O eu te amo
De uma forma que pudesses entender...
♪ ♫
Sem ela
A sede me cancela
Eu fico preso
Numa sela
De um metro e meio
De solidão
Sem ela
Sofro como fera
Não como
Não bebo
Não durmo
Fico preso na inexatidão do escuro
Fico alheio
Fico mudo
Perco a direção
Sem ela
Eu não sei como será
Não sei que barco tomar
Não sei se vou e morro no mar
Ou se morro aqui
Preso entre os versos deste poema.
Radyr Gonçalves



A taça transborda sobre a mesa vazia
Me abraçou como a mãe afaga o filho
