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ENSAIO SOBRE O FIM DO AMOR

04
Abril
2009
radyrgoncalvesaraujo — @ 03:12


 
       Para Vânia
 
Lá eu
Num brêu Chinês
Acorrentado
 
Das brechas da arapuca
Eu não vejo o sol
Não vejo nenhum um brilho além
E eu preso
Nas trevas que não criei
 
Branca, eu sou a flor sensível
Que chamam de amor
Branca, eu sou a relva da nascença
Sou a cura das doenças
Eu sou uma alma vestida de paz...
 
Tinha uma armadilha no caminho
Um inimigo fez isso
Lançou semente errante
Crucificou-me
 
Branca, eu morri embalado de tristeza
Branca, sepultaram-me no jazigo da incerteza
Branca, nem morto eu descanso...
 
O amor deu as costas
Deu três passos a frente
Olhou pra trás
E numa mira certeira
Cravou-me um punhal no peito
 

 

Morri ali mesmo.
 
 
Radyr Gonçalves
Copyright
Todos os direitos reservados
 
 

O BEIJO

30
Janeiro
2009
radyrgoncalvesaraujo — @ 16:21
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By Radyr Gonçalves 
 
O eclipse entrou na paisagem
Haviam estrelas contadas sete
Sete luas sem véus
E uma cascata de meteoros passantes
Haviam fadas com condões
E alguns apetrechos de poesia a enfeitar
Borboletas, bem-te-vis, rouxinóis e sabiá
Haviam rios que cortavam
Uma extremidade a outra
Da cidadezinha imaginada
Ao fundo
Uma vaquinha magra
E um pescador solitário
Casado com suas pretensões de predador
Lírios, baubás, oliveiras e jacarandás
Uma casinha de madeira
Um cãozinho chamado Alegria
Uns coelhos não batizados
Abelhas, formigas fabricando o dia
E um casal
Esperando o sol se espichar
Para selar um compromisso
Com um beijo.
 
 

ESQUECI DE DIZER

30
Janeiro
2009
radyrgoncalvesaraujo — @ 16:14
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By Radyr Gonçalves
 
Eu contei conchas do mar
Enquanto a maré acordava
Eu contei meus planos as caladas pedras
Eu falei de flores com o céu
Mas esqueci de dizer
Que queria me alargar num abraço teu
E morrer de fartura no teu seio amado
Esqueci de cantar peixinhos
De beijar-te de mansinho
Da tardinha ao arrebol
Eu contei cismas
Uma por uma
Contei brigas
Arquivei verbos envenenados
Eu criei causo com a praia deserta
Eu deixei a porta aberta
E você se foi
Eu contei pérolas
Eu guardei riquezas
Mas esqueci de falar-te
Dos meus desejos açucarados
Esqueci de plantar violetas
De tecer nossas luas
Esqueci de expressar
O eu te amo
De uma forma que pudesses entender...
 

CANÇÃO DE MORRER NO MAR (SEM ELA)

04
Janeiro
2009
radyrgoncalvesaraujo — @ 01:17
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♪ ♫
Sem ela
A sede me cancela
Eu fico preso
Numa sela
De um metro e meio
De solidão
Sem ela
Sofro como fera
Não como
Não bebo
Não durmo
Fico preso na inexatidão do escuro
Fico alheio
Fico mudo
Perco a direção
Sem ela
Eu não sei como será
Não sei que barco tomar
Não sei se vou e morro no mar
Ou se morro aqui
Preso entre os versos deste poema.
     Radyr Gonçalves

DO SABOR DE EDVANIA

28
Dezembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 23:03

  

Doce, dietética e leve

Com traços breves de acidez

Pura, cândida, alva da cor da neve

Geniosa como a lua majestosa

Mansa como o braço do vulcão

Flor azul das tardes

Espinho cortante das manhãs

Tem manha de moça mimada

Tem mel em dez verbos

Tem fel em outros dez

Mas é o seu sabor de maçã que se revela

No meu paladar vicioso

E eu só conhece o sabor dela.

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  Radyr GonçalvesCopyright 2009

CANÇÃO DA SENSIBILIDADE

11
Dezembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 20:04

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Ver-se-á uma flor
Um cartão
Um bilhete
E alguns chocolates espalhados sobre a mesa
Uma canção ao fundo
E uma oração silenciosa
Rogando sensibilidade
(É que preciso do teu perdão!).
 
 
Radyr Gonçalves

O VERSO PROCURADO

09
Dezembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 02:00

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Procuro um verso na pagina deserta
E só encontro à falta
Das tuas manias, a falta...
A falta do teu tom suspeito
Da tua desconfiança bélica
Da tua guerra interna
Do pensamento noturno de ambos
Procuro um verso que te expresse amor
Não consigo
Todos os versos pra ti já foram escritos, amor...
Não cabem no mar, tampouco no céu...
Meu amor encheu cada centímetro do teu corpo...
Não sei onde expor meu amor!
Procurei no deserto da pagina de escrever
Um verso qualquer
Desses que a gente cria quando não está inspirado
Espremi, espremi, nada saiu...
Todo verso pra ti já foi criado
Toda canção pra ti já foi cantada
Pois cada palavra de amor já dita foi pensando em ti, amor...
E toda canção já cantada tem a sua nota...
Por que até a música do vento, amor, fora feita pra ti ver bailar.
Procuro um verso na página deserta...
Nada encontro, senão a falta de ti, somente.
Radyr Gonçalves
Copyright 2008

CANÇÃO DE CRISTAL

08
Dezembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 14:43
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A taça transborda sobre a mesa vazia
Falta alguém, meu bem!
Falta ela, pele dourada, alva, cabelos escuros...
Mas é momento de calar
De deixar a taça transbordar
De deixar a acaso prover o destino
É hora de caladinho, caladinho...
Assistir o espetáculo do vinho bailando na taça de cristal solitária.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
03 de dezembro

O FIM DA SAUDADE

08
Dezembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 14:39
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Me abraçou como a mãe afaga o filho
E me deitou no seu ventre virgem
Não disse nada, nadinha...
Ficou calada, caladinha...
Depois cantou baixinho ao meu ouvido
E a canção dizia da saudade fria que quase lhe arrancava o seio...
Dali por diante não mais saiu de mim
Não mais.

Radyr Gonçalves
Copyright 2008
04 de dezembro

AUSÊNCIA

26
Novembro
2008
radyrgoncalvesaraujo — @ 04:08

 

O desejo que há em mim me apavora
Quero teu corpo, tua pele, tua alma
Quero teu beijo, teu afago, teu calor, teu travesseiro...
Sei que nada disso terei, por isso partirei...
Partirei exausto de trilhar o amor não amado...
De vaguear pelas noites procurando teus braços...
Quando a dor me açoitar na madrugada fria
Vou sentir sua voz me dizendo: TE AMO!
Vou lembrar das tuas sandices, das tuas loucuras de lua...
E vou me ater no teu seio quente e me aquecer no teu corpo...
Me esconderei em ti, e em ti somente provarei o amor na distancia...

Saibas, pois, que te possuo a noite quando a lua vem...
Saibas, pois, que o meu canto de lamento é teu também...
Saibas, pois, que és o fruto da minha vida...
E quando a madrugada me chamar ouvirei você me chamar...

Nunca mais eu serei o mesmo
Nunca mais eu passarei nesta estação
Nunca mais cantarei o amor
Pois, flor minha, me deixastes...
E eu já morro de qualquer coisa entre o amor e os teus braços (...)
Morro de qualquer coisa que chamam de AUSÊNCIA.

Radyr Gonçalves

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